Notícia do jornal "Folha de São Paulo" de 18 de novembro de 2007

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u346566.shtml

Ciclone Sidr arrasa o maior manguezal do mundo em Bangladesh

O ciclone Sidr, que devastou na quinta-feira o sul de Bangladesh, deixando ao menos 2.300 mortos, também produziu um desastre ecológico sem precedentes --arrasou o maior manguezal do mundo, o de Sunderbans, considerado patrimônio da humanidade e reserva excepcional de milhares de animais raros, segundo especialistas.

O Sidr, que afetou ao menos sete milhões de pessoas, entrou em Bangladesh na noite de quinta-feira através da imensa reserva natural de Sunderbans, no delta do Ganges, formado por numerosas ilhas e que faz fronteira natural com a Índia, a um lado do golfo de Bengala.

Centenas de milhares de famílias de pescadores pobres vivem no local e em seus arredores que, desde 1987, fazem parte do patrimônio mundial da Humanidade e que desde 2001 estava classificado como zona importante da biosfera --o local abriga animais raros como o tigre real de Bengala, o golfinho do Ganges, o crocodilo de estuário ou a tartaruga marinha.

"O ciclone provocou um desastre ambiental", denunciou neste domingo na capital Dacca Zunayed Kabir Chowdhury, cientista bengalês especialista no manguezal de Sunderbans-- uma formação vegetal característica do litoral tropical.

O cientista explicou que o "olho do ciclone golpeou sem piedade o Sunderbans, conhecido por ser o habitat natural dos tigres e de outros animais selvagens".

Cerca de 500 tigres reais de Bengala vivem no manguezal, além de outras cinco mil a seis mil espécies em vias de extinção no mundo.

Ainun Nishat, representante local da organização União Mundial para a Natureza, também teme que as ondas gigantes provocadas pelo Sidr tenham aniquilado boa parte da fauna selvagem.

"A fauna selvagem é vulnerável a este tipo de catástrofes naturais e grande parte pode ter sido arrastada pelas ondas", confirmou Shanti Ranjan Das, do ministério bengalês de Agricultura e Pecuária.

Quanto à flora, milhares de espécimes de raízes elevadas, foram "derrubadas pelos ventos de 240 km/h", afirmou Nishat.

O manguezal de Sunderbans compartilhado por Índia e Bangladesh, tem superfície de 5.800 km2.

Buscas - Três dias após a devastadora passagem do ciclone, as equipes de resgate continuam a procurar sobreviventes, enquanto a apuração provisória de mortos passa de 2.300 e, segundo a Cruz Vermelha, citada pela agência Efe, entre 6 milhões e 7 milhões de bengaleses foram afetadas pelo ciclone.

O número de mortos aumenta conforme as equipes de resgate chegam aos povoados localizados no sul do país, região mais atingida pelo ciclone. Segundo um funcionário do Centro de Controle do Ministério de Gestão de Desastres na capital, Dacca, há, oficialmente, 1.458 feridos e 1.066 desaparecidos.

O presidente da Cruz Vermelha no país, Abdur Rob, havia dito neste domingo que, de acordo com experiências anteriores e informações recolhidas, o número total de mortos poderia chegar a 10 mil. Nesta tarde, porém, ele corrigiu a informação, dizendo que as baixas podem passar de 5.000, mas que certamente estarão abaixo de 10 mil.

Segundo o funcionário, as autoridades do departamento se reuniram com "estrangeiros" para organizar o sistema de ajuda e definir uma forma eficaz para receber os milhões de dólares doados pela ONU, União Européia e países como Alemanha e Espanha, entre outros.

O Ministério de Gestão de Desastres começou a divulgar cálculos sobre os efeitos do ciclone. De acordo com o governo, citado pela agência Efe, a tormenta deixou 2,7 milhões de desabrigados, 242 mil animais mortos, 273 mil casas arrasadas e 7.340 hectares de cultivo completamente destruídos.

Embora a apuração oficial de vítimas seja mais lenta do que os cálculos dos danos materiais, um porta-voz da Cruz Vermelha em Dacca disse à Agência Efe por telefone que poderia haver mais de 3.000 mortos. A organização estima que "900 mil famílias necessitem de ajuda", o que equivale a sete milhões de pessoas.

Nesta situação pediu uma ajuda inicial ao país de 400 milhões de takas (US$ 5,87 milhões, cerca de R$ 10,2 milhões).

Considerado pelos meteorologistas o pior ciclone em décadas, o Sidr (olho, em bengali) devastou a costa de Bangladesh com ventos de até 233 km/h e provocou um aumento de cinco metros no nível do oceano, em um país onde 60 milhões de pessoas vivem a até 10 metros acima do nível do mar.

Os efeitos do ciclone foram diminuídos porque o Sidr tocou a terra durante a maré baixa, e também por causa da aplicação de um plano de evacuação que permitiu a retirada de 3,2 milhões de pessoas das áreas mais expostas.

Mas não foi em todos os lugares que os moradores ouviram as autoridades. Em Barguna, um dos Distritos mais afetados, muitos tinham perdido a confiança nos meteorologistas, depois que vários alertas --entre eles o de um possível tsunami-- não se concretizaram.

"(Os aldeões) Aprenderam uma lição e não ouviram a mensagem das autoridades, quem sabe se terão pagado", disse o prefeito de Barguna, Shah Jahan, ao jornal bengalês "The Daily Star".

"Nunca tinha visto um nível tão grande de devastação", afirmou o governador do Distrito de Bagerhat, Sahidul Islam.

Este distrito foi o mais atingido pelo ciclone, com 610 mortos até o momento, e o encarregado da Cruz Vermelha no local, M. Sakktar, disse que as ajudas já começaram e que os cidadãos precisam agora, em primeiro lugar, de água potável.

"Estamos distribuindo arroz, mas as pessoas precisam, sobretudo, de água potável, porque as canalizações não funcionam. A cidade resistiu parcialmente às inundações do ciclone, mas as áreas ao redor estão completamente destruídas", disse.

Nos distritos litorâneos, dezenas de milhares de pessoas estão ao ar livre, sem acesso a alimentos, água ou remédios, e os sobreviventes ainda se esforçam para enterrar seus parentes.

"Nossos voluntários estão percorrendo as regiões litorâneas em busca de sobreviventes. É difícil fazer a ajuda chegar a algumas áreas", disse Sakktar.

Entre as zonas mais isoladas estão as ilhas situadas frente à costa, como Dublarchar, que recebe milhares de pescadores durante a temporada, e serve como abrigo quando o clima se torna hostil.

Segundo o "Daily Star", dois sobreviventes disseram que cerca de 7 mil pescadores do delta do Ganges estavam na ilha durante a passagem do Sidr e, como de costume, teriam se refugiado em canais para se proteger temporariamente da tempestade.

"Desta vez os pescadores também se refugiaram nos khals (canais), mas nunca retornaram", afirmou um funcionário do Distrito de Bagerhat.

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